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Carteira em risco (PAR)

Definição

A carteira em risco é a parte da sua carteira de crédito com uma prestação vencida. Como calcular o PAR 30, o que conta como risco baixo ou elevado, e os erros que escondem os créditos maus.

A carteira em risco é a percentagem da sua carteira de crédito em dívida que está com mutuários que têm uma prestação vencida. É o número mais vigiado no crédito, porque responde à pergunta que todo o credor, financiador e regulador faz primeiro: quanto do dinheiro que lhe é devido dá sinais de que pode não voltar?

O que importa é o que entra no numerador. O PAR não conta a prestação em falta. Conta todo o saldo em dívida de cada crédito que tenha qualquer pagamento em atraso. Um mutuário que deve 10 000 e falhou uma prestação de 500 acrescenta 10 000 à sua carteira em risco, e não 500.

Isto é deliberado. A partir do momento em que um mutuário falha um pagamento, é o crédito inteiro que fica em causa, não apenas a parte que saltou.

A fórmula do PAR

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PAR (N dias) = Saldo em dívida dos créditos com um pagamento vencido há mais de N dias
               ─────────────────────────────────────────────────────────────
                         Carteira de crédito total em dívida

Ambos os valores são medidos na mesma data. O denominador é a carteira bruta em dívida — todo o capital que ainda lhe é devido, crédito cumpridor e não cumpridor em conjunto.

Exemplo prático. A sua carteira tem 2 000 000 em dívida repartidos por 400 créditos. Trinta e um créditos têm um pagamento vencido há mais de 30 dias, e esses trinta e um créditos somam um saldo em dívida de 180 000.

PAR 30 = 180 000 ÷ 2 000 000 = 9%

Porque é que os "N dias" importam

O PAR é sempre indicado com um limiar: PAR 1, PAR 14, PAR 30, PAR 90. O limiar define quanto tempo um pagamento tem de estar em atraso antes de o crédito contar como em risco.

A convenção que quase toda a gente usa é cumulativa e encaixada. PAR 30 significa todo o crédito com um pagamento vencido há 30 dias ou mais — o que inclui os créditos com 60, 90 e 200 dias de atraso. Ou seja:

  • PAR 1 ⊇ PAR 30 ⊇ PAR 90
  • O PAR 1 será sempre o número maior e o PAR 90 o menor
  • Os números não devem ser somados entre si

É esta a definição usada pelo CGAP, pelo MIX Market antes de encerrar, e pela maioria dos bancos centrais e financiadores de desenvolvimento. Se enviar um valor de PAR 30 a um investidor, é isto que ele vai assumir que significa.

O PAR não é o mesmo que escalões de antiguidade

Os escalões de antiguidade — 1–30 dias, 31–60, 61–90, 90+ — são mutuamente exclusivos. Cada crédito aparece exatamente num escalão, e os escalões somam a sua carteira em incumprimento total.

Os limiares do PAR sobrepõem-se. Cada um contém os que estão acima dele.

As duas leituras são úteis e a maioria dos credores precisa de ambas. Os escalões de antiguidade dizem-lhe onde está concentrado o incumprimento e como se move de mês para mês. O PAR dá-lhe a exposição global a uma determinada profundidade. O erro é misturá-los numa mesma tabela sem identificar qual é qual, porque um gestor de balcão que leia "PAR 30: 9%" ao lado de "PAR 60: 6%" ou conta duas vezes o mesmo mutuário incumpridor, ou assume que os números devem somar. Não devem.

Se reportar os dois, identifique-os com clareza. "Pagamentos vencidos há mais de 30 dias" para o PAR. "Créditos com 31 a 60 dias de atraso" para os escalões.

Como se parece o bom e o mau

As referências são sempre dadas em relação ao PAR 30. Faixas aproximadas do setor:

PAR 30LeituraAbaixo de 5%Saudável. Normal numa carteira bem gerida.5% – 10%Acompanhar de perto. Algo está a falhar na cobrança ou na avaliação de crédito.Acima de 10%Grave. Espere perguntas de financiadores e do regulador.

Trate isto como ponto de partida, não como regra. A sua referência depende muito do que empresta:

  • O crédito com desconto no salário deve ter um PAR muito baixo — muitas vezes abaixo de 2% — porque o reembolso é retido na origem. Uma carteira de desconto salarial a 6% tem um problema real.
  • O microcrédito sem garantia a comerciantes tem, por natureza, incumprimento mais elevado, e um credor disciplinado pode operar a 8% com boas taxas de recuperação e continuar rentável.
  • O crédito de grupo com responsabilidade solidária fica normalmente abaixo do crédito individual no mesmo mercado, porque o grupo absorve as falhas de curto prazo antes de chegarem a si.
  • As carteiras sazonais — sobretudo a agricultura — sobem de forma previsível antes da colheita. Compare com o mesmo mês do ano anterior, não com o mês passado.

Defina os seus próprios limiares a partir do seu próprio histórico e do seu custo de fundos. Uma tendência de subida sobre um número baixo importa mais do que um número alto estável.

Onde o PAR falha em silêncio

O PAR é fácil de calcular e fácil de distorcer. A maior parte da distorção não é fraude — é contabilidade que se desviou.

Créditos abatidos deixados nos livros. Se abater um crédito mas nunca o retirar da carteira em dívida, ele inflaciona numerador e denominador e faz o seu PAR parecer artificialmente estável. Se o retirar corretamente, o PAR sobe, porque o denominador encolheu enquanto os créditos saudáveis se mantiveram. Esse é o número honesto. Os credores que evitam abater porque isso prejudica o rácio estão primeiro a mentir a si próprios.

Créditos reestruturados repostos a zero. Reescalonar um crédito em incumprimento e chamar-lhe regularizado é a forma mais antiga de embelezar o PAR. Um crédito reestruturado que estava 90 dias em atraso não é um crédito cumpridor no primeiro dia do novo plano. Acompanhe os créditos reestruturados numa linha separada e reporte-os ao lado do PAR, não dentro dele.

Atrasos datados a partir do dia errado. Se um pagamento venceu no dia 5, foi recebido no dia 20 mas lançado no dia 25, os dias de atraso do crédito dependem inteiramente de qual dessas datas o seu sistema usa. Use a data de vencimento e a data real de pagamento. A data de lançamento é um evento administrativo, não um evento do mutuário.

Pagamentos parciais mal imputados. Se um mutuário paga parte de uma prestação e o seu sistema a aplica pela ordem errada, o crédito pode parecer regularizado quando ainda falta capital — ou parecer em atraso quando não está. É por isso que a cascata de imputação importa: penalizações, depois taxas, depois juros, depois capital, aplicados sempre da mesma forma.

Pagamentos antecipados a esconder atrasos. Um mutuário que paga duas prestações antecipadamente e depois falha três pode continuar a mostrar saldo positivo face ao plano num cálculo ingénuo. O PAR deve ser medido contra a prestação devida, não contra o montante acumulado pago.

Denominadores diferentes entre relatórios. Carteira bruta, líquida de provisões, apenas capital, capital mais juros a receber — cada um dá um PAR diferente. Escolha um, ponha-o por escrito e use-o em todo o lado. A maioria dos credores deve usar o capital bruto em dívida.

O PAR é um sintoma, não um diagnóstico

Um valor de PAR diz-lhe que algo está errado. Não lhe diz o quê. Leia-o em conjunto com:

  • Taxa de cobrança — que percentagem do que venceu este mês foi efetivamente cobrada. Uma taxa de cobrança a cair é o indicador antecedente; o PAR é o indicador atrasado.
  • Escalões de antiguidade — o incumprimento é recente (1–30 dias, recuperável com um telefonema) ou antigo (90+, provavelmente perdido)? Dois credores com PAR 30 idêntico podem estar em situações completamente diferentes.
  • Taxas de transição — que parte do escalão 1–30 passa para 31–60 no mês seguinte. É aqui que se vê a cobrança a funcionar ou a falhar.
  • Provisões para perdas em crédito — o PAR diz-lhe o que está em risco; as provisões dizem-lhe o que já reservou para lhe fazer frente.
  • PAR por oficial, balcão e produto — um valor de 9% ao nível da carteira esconde muitas vezes um balcão a 3% e outro a 22%. A média é o corte menos útil dos dados.

Porque é que a maioria dos pequenos credores não consegue ver o seu PAR

A fórmula é aritmética. O problema são os dados.

Para calcular o PAR corretamente precisa, para cada crédito e em qualquer data: do saldo em dívida, do plano completo de prestações devidas, de cada pagamento recebido com a data real, e de uma regra consistente sobre como esses pagamentos foram imputados. Numa folha de cálculo com algumas centenas de créditos em três balcões, isso é uma semana de trabalho — e quando estiver pronto, o número já tem uma semana.

Por isso não se faz. Em vez disso, o credor sabe mais ou menos quem está em atraso porque um oficial de crédito mantém uma lista, e a posição real só aparece quando um financiador a pede ou quando um balcão é auditado. A essa altura, o incumprimento recente que se teria recuperado com um telefonema já envelheceu para o escalão dos 90 dias.

O PAR não vale como relatório de fim de mês. Vale numa terça-feira de manhã, quando os créditos que passaram a 5 dias de atraso durante o fim de semana ainda podem ser salvos.