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Todos os termos

Financiamento de faturas / factoring

Definição

O financiamento de faturas permite que uma empresa obtenha capital com faturas por pagar, seja através de um empréstimo garantido por elas ou da sua venda a um fator que fica responsável pela cobrança.

O financiamento de faturas é uma forma de financiamento de capital de giro no qual uma empresa obtém caixa contra faturas que já emitiu, mas que ainda não foram pagas. O financiador adianta uma porcentagem do valor da fatura imediatamente e libera o saldo, menos os encargos, quando o cliente paga.

O problema que ele resolve é de prazo, não de solvência. Um fornecedor entrega mercadorias em janeiro, emite uma fatura com prazo de 60 dias e não consegue acessar esse dinheiro até março — enquanto salários, estoque e aluguel vencem nesse meio-tempo. A empresa é lucrativa e, ainda assim, fica sem caixa. O financiamento de faturas converte um recebível em dinheiro hoje, com desconto.

Factoring é a modalidade em que o recebível é vendido ao financiador, que então passa a ser dono da dívida e normalmente a cobra diretamente do cliente. Desconto de faturas é a modalidade em que a empresa toma um empréstimo com base no recebível, mantém a propriedade e continua cobrando por conta própria.

Essa distinção — venda versus empréstimo — é aquela da qual todo o resto decorre, e é constantemente confundida no material de marketing. Ela determina quem cobra, com quem o cliente lida, se a operação aparece como dívida no balanço patrimonial e o que acontece quando o cliente não paga.

Factoring, desconto de faturas e as alternativas

Factoring

  • Forma jurídica: Venda e cessão do recebível
  • Quem cobra: A faturizadora
  • O cliente é informado: Geralmente sim
  • Normalmente abrange: Carteira inteira ou faturas selecionadas
  • Controle de crédito: Terceirizado para a faturizadora
  • Precificação baseada em: a qualidade de crédito dos devedores
  • Adequado para: Empresas menores, crédito mais fraco, capacidade administrativa reduzida

Desconto de faturas

  • Forma jurídica: Empréstimo garantido por recebíveis
  • Quem cobra: A empresa
  • Cliente informado: Geralmente não
  • Normalmente abrange: Carteira inteira
  • Controle de crédito: Mantido
  • Precificado com base em: A qualidade de crédito da empresa mais a carteira
  • Indicado para: Empresas estabelecidas com bons sistemas

Empréstimo garantido por faturas

  • Forma jurídica: Empréstimo com recebíveis como garantia
  • Quem cobra: A empresa
  • Cliente informado: Não
  • Normalmente abrange: Um limite da linha de crédito
  • Controle de crédito: Mantido
  • Precificado com base em: A qualidade de crédito da empresa
  • Indicado para: Empresas que desejam uma linha de crédito geral

Factoring reverso

  • Forma jurídica: Pagamento antecipado a fornecedores organizado pelo comprador
  • Quem cobra: O financiador, do comprador
  • Cliente informado: Sim — o comprador inicia a operação
  • Normalmente cobre: As contas a pagar aprovadas do comprador
  • Controle de crédito: Não se aplica
  • Precificação baseada em: A qualidade de crédito do comprador
  • Adequado para: Compradores de grande porte que desejam apoiar sua cadeia de suprimentos

Factoring reverso, também chamado de supply chain finance ou financiamento de contas a pagar, merece ser tratado separadamente porque inverte a estrutura. O comprador o implementa, aprova faturas para pagamento antecipado e o financiador precifica com base no crédito do comprador, e não no do fornecedor. Para um fornecedor de pequeno porte que vende a um comprador de grande porte e com boa qualidade de crédito, essa é, de longe, a forma mais barata de financiamento de recebíveis disponível — e só fica disponível se o comprador optar por oferecê-la.

Factoring seletivo ou pontual financia faturas individuais em vez de toda a carteira. É mais flexível e substancialmente mais caro, porque o financiador perde a diversificação e o volume que as estruturas de faturamento integral proporcionam.

Como funciona uma operação de factoring

  1. Linha de crédito aprovada. O financiador avalia a empresa e sua carteira de devedores, define o limite da linha de crédito, uma taxa de adiantamento e limites de concentração por devedor.
  2. Fatura emitida e enviada. A empresa fatura o cliente e envia a fatura, com os comprovantes de entrega, ao financiador.
  3. Verificação. O financiador confirma que os bens ou serviços foram entregues e que a fatura foi aceita — por documento, por telefone ou por integração de sistemas.
  4. Notificação de cessão de crédito. Nas operações com notificação, o cliente é informado de que a dívida foi cedida e de que o pagamento deve ser feito ao financiador.
  5. Adiantamento pago. Um percentual do valor da fatura — normalmente de 70% a 90% — é repassado à empresa, muitas vezes em até um dia.
  6. Cobrança. O cliente paga a fatura na data de vencimento, ao financiador, no factoring, ou a uma conta controlada, no desconto.
  7. Liquidação. O saldo retido é liberado para a empresa, menos a taxa de serviço e o encargo de desconto.

Se o cliente não pagar, o que acontece em seguida depende inteiramente da modalidade de recurso.

Com recurso e sem recurso

Factoring com recurso deixa o risco de crédito com a empresa. Se o cliente não pagar dentro de um prazo acordado após o vencimento — geralmente 90 dias — o financiador exerce o regresso sobre a fatura: a empresa deve recomprá-la ou ter o valor deduzido do próximo adiantamento. A maior parte do factoring é com recurso.

Factoring sem recurso transfere o risco de insolvência do cliente para o financiador, que precifica de acordo e avalia cuidadosamente cada devedor.

A ressalva importante é que o factoring sem recurso é mais limitado do que parece. Ele normalmente cobre a incapacidade de pagamento do cliente, não a falta de vontade de pagar. Quando o cliente retém o pagamento por causa de uma disputa sobre qualidade, quantidade, entrega ou condições contratuais, isso é uma disputa comercial, e não um evento de crédito, e a fatura volta para a empresa de qualquer forma. Como as disputas são uma causa de não pagamento muito mais comum do que a insolvência, uma empresa que compra proteção sem recurso está comprando menos cobertura do que o nome sugere.

Exemplo prático: quanto custa de fato

Uma fatura de 100,000 com prazo de 60 dias, fatorada com uma taxa de adiantamento de 80%, uma taxa de serviço de 2% sobre o valor da fatura e um encargo de desconto de 2.5% ao mês sobre os recursos adiantados.

  • Valor da fatura: 100,000
  • Adiantamento de 80% (pago imediatamente): 80,000
  • Retenção em poder do financiador: 20,000
  • Taxa de serviço (2% de 100,000): (2,000)
  • Encargo de desconto (80,000 × 2.5% × 2 meses): (4,000)
  • Total de encargos: (6,000)
  • Saldo liberado da retenção: 14,000
  • Total recebido pela empresa: 94,000

Convertendo isso em taxa anual

A empresa pagou 6,000 para ter 80,000 por 60 dias.

Cost for the period = 6,000 ÷ 80,000 = 7.5%
Annualised = 7.5% × (365 ÷ 60) ≈ 45.6% per annum

Uma taxa anunciada de "2% mais 2.5% ao mês" é um custo efetivo que se aproxima de 46% ao ano sobre os recursos efetivamente adiantados. Isso não é automaticamente irracional — a alternativa pode ser pedidos perdidos, ruptura de estoque ou o fim de um relacionamento com fornecedor — mas é o número que a empresa deveria comparar com um cheque especial ou um empréstimo a prazo, e raramente é o número apresentado.

Prazos de pagamento mais curtos reduzem o custo; prazos mais longos o aumentam muito. A mesma fatura com prazo de 30 dias custa 4,000 em vez de 6,000, uma taxa efetiva de cerca de 61% ao ano sobre um custo absoluto menor. A mesma fatura em 120 dias custa 10,000. Qualquer comparação entre provedores precisa manter o prazo de pagamento constante, e qualquer linha de crédito em que os devedores costumam pagar em atraso custa mais do que o cronograma sugere.

Taxas de adiantamento e o que as define

A taxa de adiantamento é a relação empréstimo-valor (loan-to-value) do financiamento de recebíveis e é definida por quanto da carteira de faturas o financiador espera efetivamente receber.

  • Concentração de devedores: Maior com muitos devedores diversificados; menor quando dominada por um ou dois devedores.
  • Qualidade dos devedores: Maior para devedores de grande porte, com bom crédito e pagamentos confiáveis; menor para devedores de pequeno porte, sem classificação de risco ou pagamentos lentos.
  • Setor: Maior para entrega sem pendências e aceitação simples; menor para construção civil, obras por etapas ou reivindicações retroativas.
  • Histórico de diluição: Maior quando a diluição é baixa e estável; menor quando notas de crédito e devoluções são irregulares.
  • Perfil de aging: Maior quando a maioria das faturas está em dia; menor quando saldos significativos estão vencidos.
  • Condições contratuais: Maior quando livremente cedíveis; menor ou zero quando a cessão é restringida ou proibida.

Certos recebíveis geralmente são excluídos por completo: faturas que já ultrapassaram uma idade definida, faturas para partes relacionadas, faturas sujeitas a disputa, faturas de progresso ainda não certificadas, recebíveis de exportação cuja cobrança é impraticável e faturas para devedores que já excederam seu limite de concentração.

Diluição: a métrica específica deste produto

Diluição é a diferença entre as faturas emitidas e o caixa efetivamente recebido por elas, por motivos diferentes da inadimplência do devedor. É a mais importante medida de underwriting no financiamento de recebíveis e não tem equivalente no crédito convencional.

Dilution rate = (Credit notes + discounts + returns + write-offs + set-offs) ÷ Gross invoiced sales

Fontes de diluição:

  • Notas de crédito por devoluções, entregas a menor ou correções de preço
  • Descontos de liquidação aproveitados pelos devedores no pagamento antecipado
  • Contas de compensação, quando o devedor também é fornecedor e compensa um saldo contra o outro
  • Retenções mantidas em contratos de construção e engenharia
  • Disputas resolvidas por pagamento parcial
  • Abatimentos e bonificações por volume aplicados no fim do período

Uma empresa com 12% de diluição que emite 100,000 em faturas recebe cerca de 88,000. Antecipar 80% do valor de face contra essa carteira significa antecipar 80,000 contra 88,000 de valor realizável — uma posição muito mais apertada do que o percentual de antecipação sugere. É por isso que a análise de diluição, e não o percentual de antecipação, determina se uma linha de crédito está realmente garantida, e é por isso que os financiadores examinam o histórico de notas de crédito de um cliente em potencial antes de qualquer outra coisa.

Underwriting: dois créditos, não um

A análise de crédito convencional avalia um único tomador. O financiamento de recebíveis avalia duas posições ao mesmo tempo.

O cliente — a empresa que está captando o financiamento. Ela está em atividade? É solvente? Seus sistemas são capazes de gerar faturas precisas e um aging confiável? A gestão é honesta? A falência do cliente é o que transforma uma linha de crédito organizada em uma investigação de fraude.

A carteira de devedores — os clientes que irão efetivamente fornecer o caixa. Concentração, antiguidade, comportamento de pagamento, frequência de litígios, risco setorial e se os contratos permitem de todo a cessão.

O caixa vem dos devedores; o risco de a linha de crédito se desfazer vem do cliente. Um cliente financeiramente fraco com uma carteira de devedores de primeira linha pode ser financiado com controlos rigorosos. Um cliente forte com um único devedor frágil não pode ser financiado com segurança a qualquer taxa de adiantamento.

A possibilidade de cessão é um critério rígido. Muitos contratos de fornecimento contêm uma cláusula de proibição de cessão que impede o fornecedor de ceder as contas a receber sem consentimento. Quando essa cláusula é válida, a cessão que sustenta a linha de crédito pode falhar, e o financiador descobre isso exatamente no pior momento. Algumas jurisdições legislaram para afastar estas cláusulas; muitas não o fizeram. A revisão do contrato antes do financiamento não é opcional.

Fraude

O financiamento de contas a receber atrai mais fraude do que a maioria dos produtos de crédito, porque o ativo é um pedaço de papel que descreve uma transação que o financiador não presenciou.

Faturas fictícias — faturas emitidas a clientes que nunca encomendaram nada, por vezes contra entidades que não existem.

Pré-faturação — clientes reais, encomendas reais, faturas emitidas antes da entrega para acelerar o financiamento. Muitas vezes começa como um expediente de tesouraria e agrava-se.

Duplo factoring — a mesma fatura cedida a dois financiadores, cada um dos quais acredita deter o crédito.

Pagamentos desviados — o devedor paga diretamente ao cliente e o cliente utiliza o dinheiro em vez de o repassar. No factoring notificado, isto é detetável rapidamente; no desconto confidencial, pode arrastar-se durante meses.

Devedores coniventes — um cliente relacionado ou amigável confirma faturas sem substância comercial.

Os controlos que detetam estas situações são processuais e não analíticos: verificação independente junto dos devedores utilizando contactos que o financiador obteve por si próprio, e não os fornecidos pelo cliente; reconciliação do razão de vendas com a listagem de devedores por antiguidade e com a conta bancária; auditorias nas instalações do cliente; e muita atenção a qualquer devedor cujo comportamento de pagamento seja invulgarmente impecável. Um razão em que todas as faturas são pagas exatamente a tempo é um sinal de alerta, não um conforto.

Onde se adequa e onde não se adequa

Funciona bem para: empresas que vendem a prazo a outras empresas; empresas em crescimento cuja necessidade de financiamento aumenta com as vendas; fornecedores de grandes compradores que pagam lentamente; empresas com ativos fixos limitados para dar em garantia; e setores em que as faturas são limpas e a entrega é inequívoca.

Funciona mal para: empresas que vendem a consumidores; aquelas que são pagas antecipadamente ou na entrega; empresas com um único devedor; setores com conclusão faseada, retenções ou litígios frequentes, em especial a construção; empresas cujo problema real são as perdas e não o desfasamento temporal; e empresas cujos contratos proíbem a cessão.

Vale a pena dizer claramente o último ponto: o financiamento de faturas antecipa o caixa de vendas que já aconteceram. Não pode financiar uma empresa que não está a ganhar dinheiro, e utilizá-lo para esse fim apenas antecipa o ponto de rutura, acrescentando custos.

Contexto de mercado

O financiamento de contas a receber é desproporcionalmente relevante em mercados onde pequenos fornecedores vendem a grandes compradores com prazos longos e têm poucos ativos suscetíveis de servir de garantia. O mercado africano de factoring cresceu a partir de uma base pequena e continua modesto face aos volumes globais, e organismos setoriais, incluindo o Afreximbank e a FCI, têm promovido legislação-modelo de factoring para dar às cessões uma base jurídica mais clara, tendo várias jurisdições adotado ou estando a considerar tais leis.

Verifique a posição jurídica atual em cada mercado antes de confiar nisto — a legislação de factoring na região avançou rapidamente nos últimos anos, e a validade da cessão é precisamente o ponto em que uma linha de crédito funciona ou não.

Onde as linhas de crédito correm mal

Custo nunca anualizado. Percentuais mensais e tarifas fixas cotados separadamente, comparados a uma taxa de descoberto expressa ao ano.

Diluição ignorada na subscrição. A taxa de adiantamento é definida sobre o valor bruto da fatura, sem análise de notas de crédito e contrapartidas.

Concentração deixada aumentar. Uma linha de crédito confortável entre quarenta devedores torna-se um empréstimo sem garantia a uma única empresa quando essa empresa passa a representar 60% da carteira.

Verificação delegada ao cliente. Dados de contato fornecidos pelo cliente, usados para verificar as faturas do cliente.

Ausência de disciplina de conciliação. Razão de vendas, contas a receber por idade e recebimentos bancários não conciliados regularmente, o que permite que pagamentos desviados e pré-faturamento passem despercebidos.

Cessão não verificada. Financiamento liberado contra contratos que proíbem a cessão em que se baseia.

Prazos de recurso que duram mais do que o devedor. Uma janela de recurso de 90 dias para um devedor que habitualmente paga em 120 dias significa que cada fatura entra em recurso rotineiramente, e a posição do cliente se deteriora a cada ciclo.